De vez em quando alguém pergunta quanto recebo pelas minhas colunas,
se sou remunerado por escrever ao Panorama; de vez em quando, ao
ouvirem a minha resposta, alguns desses que fazem tais perguntas,
torcem o nariz ao saberem que “não, não ganho por elas um tostão”. “Mas
não dá valor ao teu trabalho?” – retornam.
O lançamento da Tordesilhas também brindou-me com textos que meu vasto arquivo sobre Poe ainda não tinha: Silêncio – uma fábula” (estranha conversa entre o demônio e o narrador), “Leonizando” – um conto satírico e o “ O colóquio entre Monos e Una”. Nela há, também, o que chamo de a trilogia da passagem pelo túmulo: comece pelo pesadelar “O enterro prematuro” (o narrador descreve os horrores de ser enterrado vivo), depois vá ao “Os fatos do caso do senhor Valdemar” (o efeito da hipnose pode continuar mesmo após a morte física?) e então “O colóquio entre Monos e Una” (as almas de dois seres que já haviam estado juntos antes da morte contam suas experiências de pós-morte quando em tal mundo acabam por se reencontrar.
Dou valor, e muito, e saibam que manter um lugar como o meu não é fácil
e há muitos de olho nele, e saber que o Olavo ainda não decidiu me
trocar por um monte de grana que ele poderia estar recebendo dos muitos
comerciais que caberiam onde é meu espaço mensal, me faz secretamente
sorrir. Além disso, cada texto que termino e me agrada já é um grande
presente.
Também me basta a enorme quantidade dos que me lêem, dos que elogiam ou
mesmo criticam textos e comentários, as palestras e outros eventos que
a coluna traz. Ouso dizer, as vidas que talvez eu mude, as ideias que
encaminho e que, por sua vez, se tornam em momentos melhores para
muitos. E, de vez em quando, uma surpresa inesperada: um texto meu
sobre recente filme baseado no escritor Allan Poe, lido em São Paulo,
me fez receber de graça uma magnífica edição recém lançada pela Editora
Tordesilhas, de contos de tal autor. E, meu amigo, que edição!
Em 1919 uma editora de Londres publicou uma antologia de contos de
Edgar Poe, que àquela altura já era reconhecido como o pai das
histórias de suspense e mistério. A edição não se limitava a reproduzir
as narrativas, mas foi luxuosamente ilustrada pelo irlandês Harry
Clarke, um dos precursores do Art Nouveau (o traço dele é de arrepiar –
veja no blog museudopoe). É exatamente tal suntuosa edição, em capa
dura, 425 páginas, que a Tordesilhas traz agora ao Brasil, e com um
precioso acréscimo: o prefácio é de Charles Baudelaire (1821-1867),
ícone da poesia francesa que traduziu e divulgou a genialidade de Poe
pela Europa.
O lançamento da Tordesilhas também brindou-me com textos que meu vasto arquivo sobre Poe ainda não tinha: Silêncio – uma fábula” (estranha conversa entre o demônio e o narrador), “Leonizando” – um conto satírico e o “ O colóquio entre Monos e Una”. Nela há, também, o que chamo de a trilogia da passagem pelo túmulo: comece pelo pesadelar “O enterro prematuro” (o narrador descreve os horrores de ser enterrado vivo), depois vá ao “Os fatos do caso do senhor Valdemar” (o efeito da hipnose pode continuar mesmo após a morte física?) e então “O colóquio entre Monos e Una” (as almas de dois seres que já haviam estado juntos antes da morte contam suas experiências de pós-morte quando em tal mundo acabam por se reencontrar.

